TERAPIA SEXUAL: uma abordagem relacional

“Somos vozes num coro que transforma a vida vivida em vida narrada e depois devolve a narração à vida, não para refletir a vida, e sim, mais corretamente, para agregar-lhe algo; não uma cópia, mas uma nova dimensão; para agregar com cada  novela algo novo, algo mais, à vida.”

                                                  Carlos Fuentes

Os conflitos sexuais, conhecidos como Disfunção Sexual (D.S.), são definidos, pela Organização Mundial de Saúde, como uma perturbação no processo que “(...) cobre os vários modos nos quais um indivíduo é incapaz de participar de um relacionamento sexual como ele desejaria” (CID 10, 1993).

Historicamente, as terapias sexuais, também conhecidas em seu status de “sexologia”, segundo Birman (1998), por estarem presas ao projeto de construir uma scientia sexualis, acabam por “sempre delimitar a sexualidade no registro do comportamento”, na crença de conseguir destacar e descrever os padrões sexuais.

As terapias sexuais comportamentais, por ficarem presas ao discurso biológico e natural sobre o comportamento sexual, acabam perdendo o foco das complexas necessidades deste animal humano, um “ (...) ser dialógico, relacional, que se vai construindo a partir das relações que vai estabelecendo com os outros seres humanos. Sem perder sua singularidade, pois continua sempre sendo um ser único e irrepetível (...)”( Guareschi, 1998).

Martin  Buber,  em seu famoso livro “Eu e Tu” (Buber, 1979), demonstra que o fato primordial de seu pensamento é a relação, o diálogo, colocando em destaque o lugar do outro como indispensável para a nossa realização existencial.  Segundo  Von   Zuben,   como   escreve   no  prefácio  desta   obra:  “O mundo   é múltiplo para o homem e as atitudes que este pode apresentar são múltiplas”( op.cit.: XIV).

Diríamos, parafraseando Zuben, ao trocar mundo por sexualidade: a sexualidade é múltipla, o homem é múltiplo e as atitudes que este pode apresentar são múltiplas.

Em nosso modelo de intervenção terapêutica damos especial atenção ao processo, e não aos objetivos; à diversidade, e não à norma. Ou seja, desenvolvemos uma terapia sexual baseada em uma psicologia pós-moderna, “portanto, [que] valoriza o singular, o idiossincrático e o contextualmente situado, em vez das leis gerais”( Grandesso,2000).

Em nossa atividade sexual, em particular, não há espaço para continuar mantendo um script como se cada um de nós trouxesse gravado em nosso íntimo, “(...) uma seqüência mais ou menos definida do que seria o sexo ideal, assim como traz a imagem do homem ideal, da mulher ideal etc” (Chalar Silva,1989).
 
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