O USO DAS SETE NOTAS EM TERAPIA SEXUAL
O cantor e compositor brasileiro Tom Zé, falando no lançamento do seu disco Com
defeito de fabricação, no qual diz estar inaugurando a estética do
plágio, explica: O que eu chamo de estética do plágio é esse tipo de
procedimento, onde não há progresso, os que hoje conseguem fazer diferente com as sete notas são uma raridade (JB 08/11/98).
Acreditamos
que as construções de conhecimento sobre a saúde sexual podem ser
enriquecidas com uma maior conscientização do potencial terapêutico do
componente espontaneidade-criatividade, ou seja, com ações para
recuperá-lo e valorizá-lo, com a certeza de que eles podem abrir os
caminhos para criarmos histórias capazes de dar um novo sentido a nossa
vida sexual.
No mundo contemporâneo, em que o sexo é inventado constantemente, já
está em curso a sexualidade na qual predominam atividades sexuais como
VENIS, sigla em inglês para Very Erotic Noninsertive Sex ou Sexo Muito
Erótico Sem Penetração (Berman, 2003), focando o sexo como sinônimo de
erotismo.
Torna-se
pertinente, portanto, para o homem-ser, situado em seu tempo e num
espaço sócio-cultural, um projeto de estratégias eficazes para sua
saúde sexual que siga um modelo de sexualidade que não esteja baseado
em manuais, em conservas culturais, tenham estes status de
científico ou não, mas sim, em um roteiro flexível e modificável quando necessário.
Não estamos defendendo este produto, atividades sexuais como VENIS, como adequado
completamente a todos. Mas em relação às necessidades do mundo
contemporâneo, múltiplo, diversificado e singular, ele é uma
alternativa possível.
Por
isso, precisamos de uma abordagem como o sócio-psicodrama, que tem em
seu DNA ferramentas para seguir este fluxo de mudança.
No
referencial que trabalhamos, sócio-psicodramático, temos como meta
abrir espaço para que o próprio ator-social seja o diretor e
protagonista de seu roteiro de vida. Um roteiro que comporta os desejos
singulares, os desejos construídos na interação com o desejo do outro e
os desejos circunscritos pelo mundo em que vivemos. Nesse roteiro, o
individual e o social aparecem como complementares.
As
sete notas, que acreditamos serem importantes para formar uma
estratégia de pesquisa-intervenção, são aquelas apoiadas em uma
epistemologia pós-moderna e no sócio-psicodrama, ou, para ser mais
exato, em uma abordagem na qual predomine uma sintonia com os
postulados da visão pós-moderna.
A
incorporação destes referenciais certamente produz, como resultado, a
constituição de um arsenal teórico-metodológico capaz de produzir
alternativas às limitações fundamentais dos paradigmas teóricos e
metodológicos dominantes que têm sido utilizados nas pesquisas no campo
psicossexual.
Nossa
contribuição, ao buscar sistematizar essa prática, é de olhar os atores
sociais e sua vida em uma dimensão lúdica, de paixão e satisfação,
assim como, co-construir uma nova narrativa a partir do fortalecimento do componente que pode dar uma direção mais saudável ao devir humano: espontaneidade-criatividade.